Luisa Stefani

Luisa Stefani Consolida Reinado no Tênis Brasileiro em Pequim

Luisa Stefani Consolida Reinado no Tênis Brasileiro em Pequim

Com o troféu de Pequim debaixo do braço, Luisa Stefani reforçou uma tese que já não admite muita discussão: ela é a maior tenista brasileira desta década. O título conquistado na China, o quinto dela em nível WTA 1000, veio com uma vitória contundente sobre Katerina Siniaková, hoje número 1 do mundo nas duplas, e eleva a contagem geral da paulista a 18 troféus na carreira.

Uma trajetória de feitos históricos

Luisa carrega no currículo conquistas que nenhum outro tenista brasileiro, homem ou mulher, alcançou no período recente. Ao lado de Laura Pigossi, ela se tornou a única medalhista olímpica da história do tênis brasileiro, um feito construído em Tóquio 2021 em circunstâncias improváveis: a dupla entrou nos Jogos como alternate, de última hora, salvou match-points pelo caminho e derrubou favoritas até subir ao pódio. É uma das histórias mais marcantes do esporte olímpico brasileiro daquela edição.

Depois disso vieram outros marcos: o título do Australian Open de duplas mistas ao lado de Rafael Matos, duas finais seguidas em Wimbledon - uma na chave feminina, outra na mista - e uma final do WTA Finals, o torneio que reúne as melhores duplas da temporada. Chama atenção também sua capacidade de manter alto nível trocando de parceira com frequência, algo que poucos jogadores de duplas conseguem sustentar com a mesma regularidade.

2026 pode ser o ano mais completo da carreira

A temporada atual já entra para a galeria dos melhores anos de Luisa. Faltou, até aqui, um título de Grand Slam na chave de duplas femininas, mas a janela segue aberta. Há ainda o WTA Finals pela frente, e a possibilidade real de a brasileira encerrar o ano como a melhor dupla da temporada depende diretamente do desempenho em Wuhan e de uma campanha forte no torneio das campeãs. São etapas decisivas que podem definir se 2026 entra para a história como o ano de maior consistência de Luisa no circuito.

O paradoxo da visibilidade no tênis brasileiro

Enquanto isso, João Fonseca e Bia Haddad Maia seguem como os nomes mais vistos do tênis nacional, naturalmente, já que o jogo de simples atrai mais holofotes. Bia teve uma temporada de nível alto, com semifinal em Roland Garros, quartas de final no US Open, oitavas em Wimbledon e final em Toronto. Fonseca, ainda muito jovem, vem impressionando com uma campanha de quartas de final em Paris, dois títulos ATP conquistados e um potencial reconhecido para alcançar o top 10 nos próximos ciclos.

Mas essa visibilidade desigual expõe um problema estrutural: as duplas seguem em segundo plano na cobertura televisiva brasileira, em contraste com o que se via na década passada, quando os feitos de Bruno Soares e Marcelo Melo ganhavam espaço recorrente nas transmissões. A final de Pequim, vencida por Luisa, sequer teve transmissão em português - um detalhe que ilustra a desconexão entre os resultados conquistados e a atenção que recebem.

Ainda assim, os números não deixam margem para dúvida: desde o período pós-pandemia, nenhum tenista brasileiro acumulou tantos títulos relevantes, feitos históricos e presença constante em decisões de peso quanto Luisa Stefani. E, com 2026 longe de terminar, a oportunidade de ampliar esse legado continua em aberto.