A Confederação Africana de Futebol (CAF) sinaliza um recuo em relação à decisão de espaçar a Copa Africana de Nações para um ciclo de quatro anos. Segundo o jornal britânico "Guardian", a entidade estuda retomar o formato bienal, com uma possível votação prevista para acontecer durante a reunião do Comitê Executivo da CAF em Cabo Verde. A mudança, caso confirmada, representaria uma reviravolta significativa em uma decisão anunciada há poucos meses.
Pressão das críticas pesou na reavaliação
A proposta original, que levaria a CAN a ser disputada a cada quatro anos a partir de 2028, gerou forte resistência dentro do futebol africano. Críticos argumentaram que distanciar as edições do torneio enfraqueceria a presença das seleções do continente no circuito internacional, além de reduzir as receitas geradas pela competição, fundamentais para o financiamento de federações nacionais. Para torcedores e associações locais, a CAN a cada dois anos também funciona como o principal ponto de encontro do futebol africano, algo que um intervalo maior colocaria em risco.
Motsepe confirma estudo, mas evita cravar decisão
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, confirmou publicamente que a possibilidade de retorno ao modelo bienal está sendo analisada. Em declaração nesta sexta-feira, durante encontro da Confederação Africana em Cabo Verde, destacada pela rede francesa "Foot Mercato", Motsepe afirmou: "Estudamos a possibilidade de retornar à realização da Copa Africana de Nações a cada dois anos. Essa questão está atualmente em estudo". A fala expõe uma mudança de tom em relação à postura adotada em dezembro passado, quando a CAF anunciou oficialmente a alteração para o ciclo de quatro anos.
Edição de 2027 segue mantida, por ora
Enquanto o debate sobre o futuro formato avança, a próxima edição do torneio segue no calendário sem alterações. A CAN de 2027 está programada para ocorrer entre 19 de junho e 17 de julho, com Tanzânia, Quênia e Uganda como anfitriões conjuntos. Luxolo September, porta-voz da CAF, declarou recentemente ao portal Kooora que não há, até o momento, qualquer intenção de adiar ou transferir a competição.
Um impasse que ainda deve gerar debate
A possível reversão da CAF ilustra a dificuldade de equilibrar interesses comerciais, calendário internacional e tradição esportiva em uma competição com o peso histórico da Copa Africana de Nações. Enquanto o Comitê Executivo não confirma formalmente a votação em Cabo Verde, federações nacionais, jogadores e torcedores aguardam uma definição que impactará diretamente o planejamento das seleções africanas pelos próximos anos.